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Ana Oliveira Cardoso

Nasci em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Açores. Cresci entre montes verdes, mar revolto e livros.

Durante o ensino secundário despertei para a escrita e decidi trocar a ilha pela serra. Estudei Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, e regressei aos Açores em 2005, onde conclui o Mestrado em Gestão de Empresas, conciliando os estudos com trabalho na área da Economia Solidária.

Em 2011, o desejo de voar e o amor conduziram-me novamente ao continente, desta vez ao Norte. Adotei e fui adotada pelo Douro, que me inspira tanto quanto a minha ilha.

Em 2023 iniciei a minha viagem literária. Publiquei O Vento que me (e)leva em 2025, pela editora Letras Lavadas, e em 2026 chegou aos leitores o meu primeiro romance, Ontem.

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Livros

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ONTEM

Romance

Letras Lavadas, 2026

Ontem é um romance marcado pelo sal, pela memória e pelo silêncio.

Filha e neta de homens do mar e de mulheres que são a sua sombra, Madalena nasce nas Capelas, entre o bater das ondas e o vapor da baleação.

Na infância, conhece André, menino da cidade, menino do outro lado da vida. Entre eles nasce um amor feito de espera e distância, moldado pela terra e pelas marés.

Este livro é o retrato íntimo de uma mulher e da sua ilha. Um hino à terra, ao mar e à baleia.

E aos sonhos, porque os sonhos de Madalena são os sonhos da sua geração.

A baleação, cenário e metáfora, acompanha-nos: um modo de vida que desaparece, deixando para trás ossos, ruínas e memórias.

A história de Madalena acompanha esse fim: o abandono, o que se deixa morrer, mas também o que, teimosamente, resiste.

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O VENTO QUE ME (E)LEVA

Contos

Letras Lavadas, 2025

Este livro é escrito por duas almas que vivem num só corpo: o meu. A alma ilhéu e a alma andorinha. Nestes textos vão encontrar-me: umas vezes com os pés bem assentes na terra, outras a voar. Neles estou eu, sozinha, e está a ilha. A minha. Neles dão comigo, ilhéu, ligada à terra que me fez gente: como um texto profundo que se prende à minha alma. A ilha é parte de mim e eu sou parte dela; somos uma aliança que não se pode quebrar, porque a sua lava corre-me nas veias e o mar que a banha é tatuagem na minha pele. E depois voo. Troco as raízes pelo céu. Saio de mim e da ilha, para me tentar encontrar. Trago-a comigo, sempre, tal como as minhas cicatrizes. Mas renasço. E escrevo pela transmutação que se dá em mim. Esta é uma viagem que fiz dentro de mim mesma e que partilho agora convosco. Voem comigo.

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