Mafalda Santos
Nasci em Lisboa em 1982. Filha de mãe professora e pai jornalista, de quem herdei uma costela alentejana, tive desde a infância uma ligação profunda com a palavra escrita, nas suas mais diferentes formas literárias. Com 12 anos, fui pela primeira vez ao teatro, e apaixonei-me. Fiz o curso de Interpretação da Escola Profissional de Teatro de Cascais e, posteriormente, licenciei-me em Teatro/Encenação, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Hoje, a minha atividade profissional estende se por diversas áreas: guionista de teatro e televisão, encenadora e professora de Interpretação. Quando enceno e quando escrevo procuro, acima de tudo, a verdade nas ações e no carácter das personagens.
Sou mãe de um adolescente, adoro cozinhar, viajar e colecionar discos de vinil.

Livros
Livros

TERRA ESTREITA
Romance
Penguin Random House, 2026
Quando o toque se torna mortal, o que resta da humanidade?
Num mundo que já se habituou à indiferença, um som impossível ecoa do céu e da terra e, num instante, tudo muda. Depois dele, surge uma nova verdade, tão simples quanto devastadora: o toque mata. Milhares sucumbem. As regras da convivência e do amor são reescritas e a sociedade renasce sob um novo pacto — o da distância.
Mas como continuar a ser gente num mundo onde o afeto é proibido? Serão a liberdade e a justiça um preço que estamos dispostos a pagar para sobreviver? Cinco desconhecidos — duas mulheres, dois homens e uma criança surda — embarcam numa jornada perigosa rumo a um refúgio remoto, onde acreditam existir uma cura. Entre a esperança e a manipulação, eles tornam-se heróis improváveis de uma epopeia distópica que reflete, com inquietante precisão, o mundo em que vivemos. Uma história sobre o medo, a coragem e o poder devastador — e redentor — do contacto humano.
Críticas:
«Voltou a surpreender-me com este épico desavergonhadamente viciante, capaz de cruzar uma alegoria de que o Saramago de Ensaio Sobre a Cegueira não desdenharia, com uma voracidade narrativa apocalíptica do John Carpenter de Eles Vivem ou Nova Iorque 1997, e momentos de uma poesia muito dela (a sequência da matilha de cães viverá na minha mente para sempre sem pagar renda). Um dia alguém fará um bom filme ou uma boa série de Terra Estreita. Mas não é preciso que alguma fez o façam - ver esta história enquanto a lemos é superprodução suficiente.»
Nuno Markl
«Lê-se num fôlego – como se a vida nos atropelasse e quisesse engolir o ar num único segundo. E, embora em regimes autocráticos até a cadência do tempo seja marcada a regra, esquadro e cronómetro, existe sempre quem tenha a coragem de fazer diferente – de querer lutar contra o comum, contra o “novo normal”, a um ritmo cujo descompasso pode ser fatal.»
Revista Rua
«Não sei mesmo como é que a Mafalda consegue, sem planear nada sobre o enredo, escrever uma história com regras tão coesas, mas fico feliz por terminar sempre os livros dela com a sensação de que só quero que continue a escrever. Se gostam de distopias e de narrativas que nos inquietam, então vão gostar muitíssimo deste Terra Estreita.»
Rita da Nova

AQUILO QUE O SONO ESCONDE
Romance
Penguin Random House, 2025
Há fantasmas que são assim, enfiam-se por todas as reentrâncias da escuridão, esvoaçando entre e através de nós, ecoando nas nossas costas quando caminhamos sozinhos.
Jaime é um sombrio e solitário analista de seguros, especializado em processos de acidentes de viação. Como se o dinheiro saísse do seu próprio bolso, vive obcecado com o propósito de impedir que indemnizações sejam atribuídas aos lesados. Confrontado com a decisão judicial de pagamento de uma soma avultada a uma misteriosa mulher que sofreu um acidente, entra numa espiral de absurdidade e de autodescoberta.
Depois de um bizarro baile de máscaras, para o qual não tinha sido convidado, dá-se conta que perdeu a capacidade de dormir, embarcando numa odisseia surreal, feita num estranho estado de vigília que só terminará quando Aquilo que o Sono Esconde se revelar finalmente.
Críticas:
«A par da criatividade, é brilhante a maneira como a autora entrelaça e esclarece vários mistérios dispersos ao longo da intriga, integrando-os no todo coerente do universo que concebeu – isso para não falar da forma como prende a nossa atenção às perturbações de corpo e mente de um protagonista que, durante grande parte da narrativa, é muito pouco simpático, mostrando-nos como ele se transforma num homem diferente. Incapaz de continuar no limiar da vertigem e não desejando voltar a ser como era, Jaime enfrenta finalmente algo que sempre sentiu não fazer sentido na sua vida, chegando a uma descoberta surpreendente.»
Deus Me Livro
«Neste caso gosto particularmente da forma como, num livro não muito extenso, a Mafalda nos apresenta uma personagem tão bem construída como o Jaime, que, não fosse a componente sobrenatural da história, podia perfeitamente desenvolver um distúrbio de sono só pela sua história de vida. Claro que a componente sobrenatural dá um extra interessante à narrativa, ligando as personagens, mas o mais fascinante acaba por ser a maneira como a Mafalda aborda os distúrbios do sono e até envolver alguma crítica social numa história que, à primeira vista, podia não ter tantas camadas.»
Sofia Costa Lima

ENQUANTO O FIM NÃO VEM
Romance
Penguin Random House, 2023
O inspetor Lobo quer descobrir quem matou Laura. Afonso quer que o deixem escrever o que ele gosta. Gabriela quer que o inspetor Lobo faça o seu trabalho e quer que Afonso escreva o que lhe pedem. Mas Laura continua morta, os pais dela pressionam as forças policiais, e é preciso apanhar o culpado. Ou será mais que um? Que forças estranhas os rodeiam sem que deem por nada? Quando Afonso perde a namorada, Júlia, num horrível acidente, vê no luto a oportunidade que precisa para parar de escrever, sem ninguém contestar. Se o leitor acha que já percebeu este livro, podemos afirmar, com toda a certeza, que não. Porque quando pensa que descobriu o que se passou, Mafalda Santos abre outra cortina com outra realidade, desafiando-nos. Mas quando o fim, finalmente, chegar, pode ter a certeza de que não passará despercebido.
Críticas:
«Mafalda Santos tece um enredo impressionante, transformando uma ideia audaciosa numa história que desafia todas as expectativas. A sua habilidade em surpreender o leitor é extraordinária, culminando num final inesperado e marcante. Este livro não é apenas uma leitura, mas uma aventura pela arte da escrita que se desvenda a cada página virada. Uma leitura essencial e memorável.»
M. G. Ferrey
«Mafalda Santos revelou-se uma mestre na arte de enganar o leitor. Pegou numa ideia ousada e deu-lhe voltas e reviravoltas impossíveis de prever. Fiquei sem palavras com o final. Brilhante! Vale a pena cada segundo de leitura.»
Bruno M. Franco

E se não existisse apenas uma realidade? Uma história de amor, um vírus mortal, uma mentira avassaladora. Gabriel e Sara conheceram-se e imediatamente apaixonaram-se. Viveram uma semana de amor até que Sara desapareceu. E com ela a rua dela, o prédio onde vivia, tudo. Gabriel procura-a, desesperado. Terá sido um sonho? Uma psicose? Estará louco? Todos lhe dizem que sim, mas a verdade é bem mais inacreditável: a realidade onde vive não é a única. Não há um Universo, há multiverso. No mesmo tempo, no mesmo mundo, mas noutra realidade bem mais doentia, está Sara, à espera de Gabriel, que desapareceu.
DO OUTRO LADO
Romance
Penguin Random House, 2022
Críticas:
«Distopia e amor na mesma história, num coração ansioso que, ao procurar, encontra e é capaz da mais alta generosidade. Os protagonistas desta história, em que a razão científica se impõe, sem códigos nem compaixão, têm nome. Ela é a Sara, ele é o Gabriel. Não é uma história comum, não poderia ser: se cada amor tem as suas próprias vivências e heroísmos, os dos homens e mulheres que habitam este livro requerem muita sabedoria e paciência. Viver nunca é fácil, muito menos numa distopia em que a vida quotidiana se mistura com o anteriormente inimaginável. Que porvir terão as paixões humanas nesse novo futuro? Mafalda Santos conta-o com agilidade, fala ao ouvido daqueles que a querem ler, adverte, a partir da ficção, que algo está em movimento e é perturbador. «Não somos cegos», parece dizer este Do outro lado, assinado pela escritora Mafalda Santos com confiança e voz própria. Bem-vinda.»
Pilar del Río
«(…) Mafalda Santos publicou em 2021 o livro de contos, Conta-me, Escuridão, 8 contos de “terror” inspirados em 8 quadros, textos que Fernando Ribeiro classificou no “Prefácio” como “tenebrosos e fantásticos” (p. 13), qualificações que, sem favor, se podem estender ao romance da mesma autora publicado em 2022, Do Outro Lado, uma verdadeiramente notável distopia, como Pilar del Río destaca no “Prefácio” e que gostaríamos nós, aqui no JL, de conceder igual destaque. (…) Importante tomar nota do nome da autora, que certamente dará aos leitores muitas alegrias estéticas no futuro.»
Miguel Real
Os Dias da Prosa, Jornal de Letras

CONTA-ME, ESCURIDÃO
Romance
Penguin Random House, 2021
Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura
O terror de Mary Shelley e Edgar Allan Poe reunidos numa autora portuguesa brilhante, com uma imaginação prodigiosa e um dom para as palavras. Todos gostamos de histórias. Sejam de encantar, para dormir ou rir. Mas não se deixe enganar: estes contos não são para dormir, muito menos para rir. É provável que as personagens criadas por Mafalda Santos roubem o sono e invadam os sonhos em todo o seu esplendor. E terror. Desde trigémeas assassinas, a entidades assustadoras, passando por bruxas malévolas e magia. Nestas páginas não há sossego, nem esperança, excepto na literatura portuguesa que está viva e de ótima saúde.
Críticas:
«(…) Conta‑me, Escuridão é uma pequena obra, jóia refinada de paixão. De amor pelo que, desde sempre, e mesmo em tempos de outras aflições, faz com o que nosso coração bata mais alto e mais forte, com que os nossos olhos, semicerrados ante a escuridão, se abram com aquele espanto aristotélico emitido perante a beleza. Sim, porque, para além do medo, esse clássico intemporal, existe aqui muita beleza para ser desvendada e acarinhada pelo leitor perante esta novel obra, que em boa hora a autora Mafalda Santos viu ser dada à estampa. Livro que lhe permite acender a sua própria candeia de luz negra, de a fazer viver, acrescentando a sua estrela à constelação de autores e autoras portugueses, que têm tido a missão de manter a importância das nossas lendas e da nossa escuridão, muito bem contada aqui, no firmamento das nossas Letras, pretas no branco, mas com todos os gradientes que a alma humana se permite trespassar: através das mentes que pensam, através dos dedos que executam a sentença do terror, que é, acima de tudo, um companheiro das horas em que nos sentimos mais perto de nós próprios. Conta‑me, Escuridão: estou a ouvir‑te.»
Fernando Ribeiro
«Fui um pouco resistente à leitura destas oito histórias, pois sou daquelas pessoas que diz sempre não gostar de filmes de terror. Durante algum tempo, acreditei afincadamente que era verdade, até me aperceber, graças ao Conta-me Escuridão, que, apesar de temer o terror, sou viciado no desafiar esse medo. Dei por mim a ler o Tríptico e a dizer para comigo que não teria coragem de ler os outros sete capítulos, até chegar ao "O Mundo de Christina" e aperceber-me de que terminaria ali a minha injecção de adrenalina pura e viciante! Parabéns, Mafalda e David, por darem tantas formas à Escuridão que nos fala a todos através destes Demónios que desafiam as nossas crenças." One Love»
Dino D'Santiago
«Além de ser uma incrível actriz, a Mafalda escrevia sketches - escreveu vários do meu 5 Para a Meia-Noite. Mas, a dada altura, revela-me que escreve contos. E quando me mostra os contos - mágicos, poéticos, negros - dou por mim envergonhado, a temer ter estado a usar esta notável autora para fins indignos do seu enorme talento. Felizmente, a Mafalda, actriz e escritora, é tudo isto: da chalupice cómica à profundidade onírica, tudo o que cria é humano e verdadeiro.»
Nuno Markl
«Curioso, insólito livro de contos de Mafalda Santos, muito imaginativo , com uma escrita clara, escorreita, banhando numa densa atmosfera de introspectivos "horrores", a sugerirem, por vezes, Allan Poe ou Mary Shelley... E tudo complementado pelos expressivos, excelentes, desenhos de David Benasulin.»
Sinde Filipe
© Clube das Mulheres Escritoras
